Literatura Brasileira

Silêncio Amoroso 1 – Affonso Romano de Sant’Anna

Silêncio Amoroso 1

Deixa que eu te ame em silêncio.
Não pergunte, não se explique,
deixe que nossas línguas se toquem,
e as bocas e a pele falem seus líquidos desejos.

Deixa que eu te ame sem palavras
a não ser aquelas que na lembrança ficarão
pulsando para sempre
como se amor e vida
fossem um discurso
de impronunciáveis emoções.

(Affonso Romano de Sant’Anna)

Literatura Brasileira

Indecisão Amorosa – Affonso Romano de Sant’Anna

Indecisão Amorosa

Então me digo:
“Não vou mais vê-la”
e no dia seguinte
quero tê-la.

Então me digo:
“É a última vez”
e me resigno.
Mas quando anoitece
sou eu quem ligo.

“Começo a esquecê-la”,
me repito.
E numa esquina
invento vê-la.

De novo afirmo:
“Melhor parar”
e aí começo
a desesperar.

O tempo todo
a estou deixando
e mais a deixo
partido
ao seu amor regresso
e partindo
vou ficando.

(Affonso Romano de Sant’Anna)

Literatura Brasileira

Reflexivo – Affonso Romano de Sant’Anna

Reflexivo

O que não escrevi, calou-me.
O que não fiz, partiu-me.
O que não senti, doeu-se.
O que não vivi, morreu-se.
O que adiei, adeus-se.

(Affonso Romano de Sant’Anna)
Teoria Literária

O que é um soneto?

Soneto é um poema composto de catorze versos, divididos em dois quartetos (duas estrofes com quatro versos) e dois tercetos (duas estrofes com três versos).

O soneto possui versos metrificados e rimados e, classicamente, esses versos são decassílabos (com dez sílabas métricas) ou alexandrinos (com doze sílabas métricas).

No século XX, apesar de a literatura moderna ter rompido com os modelos clássicos, alguns poetas cultivaram o soneto, como Guilherme de Almeida, Manuel Bandeira e Vinícius de Moraes.

Observe a estrofe do Soneto do Maior Amor, de Vinícius de Moraes. Todos os versos são decassílabos (com dez sílabas métricas).

Mai/o/r a/mor/ nem/ mai/s es/tra/nho e/xis/te

Que o/ meu/, que/ não/ so/sse/ga a/coi/sa a/ma/da

E/ quan/do a/sen/te a/le/gre/, fi/ca/ tris/te

E/ se a/ vê/ des/con/ten/te/, dá/ ri/sa/da.

A sílaba métrica (ou poética) nem sempre corresponde a uma sílaba gramatical. Na divisão (ou contagem) das sílabas poéticas de um verso, considera-se as emissões de voz do verso como um todo. Além disso, conta-se apenas até a última sílaba tônica do verso. Essa contagem é chamada de escansão.